5.10.2011

4 verdades sobre o amor

O amor não tem razão: o acabado tem sempre razão. Porquanto quem abdica da vontade e encontra motivo é covarde. E todo covarde, sem exceção, é racional. Já eu gosto dos que lutam, dos que choram, dos que enlouquecem, dos que esperam mais de década se for preciso. O acabado tem sempre razão porque na verdade não desistiu. E, quando se desespera, é porque não entende porque o outro desistiu. E, quando sorri, é porque vê no outro algum sinal que enche de esperança. E, quando chora, é porque não queria que o outro desistisse. Quando liga às três da manhã pedindo pra conversar. Quando escolhe só filme de terror. Quando rejeita ouvir Cartola. O acabado, é sério, está sempre certo. Tem razão porque estava disposto a lutar. A salvar. A transformar. A revolucionar. Quem desiste é racional. É covarde: vê defeito onde realmente existe. Acha motivos. E todo covarde sempre tem um bilhão de motivos.

O amor é feminino: sabe, em se tratando de amor, todo homem deveria ser um pouco mulher. Ela acredita sinceramente no amor ad infinitum e, juro: nunca vai deixar de acreditar. A mulher morre no dia em que não mais acreditar. O homem, não. O homem é lúcido. Confia, mesmo, que o choro é sinal de fraqueza. Confia, mesmo, que não deve lutar. Todo homem é, por natureza, um conformado. E não existe pior canalha do que o conformado.

Amor não é cego: o tempo entrega a verdade. O tempo tira as máscaras. Tu te viu um dia cansado do excesso de queixas, do excesso de carinho, de carência, do excesso de choro, de dias mal humorados. Do medo, da necessidade de ajuda. Tudo se tornou ciúme ou controle. Então você descobre que não quer viver o resto da vida com essa pessoa. E o erro é teu: sonhaste com um amor cego. Sonhaste com um amor unilateral. Mas o amor não é cego. Ele é tudo, menos cego. Muito menos unilateral. O amor-amor - aquele que, ao invés de ser motivo de inveja, dá esperança - enxerga tudo de ruim. E continua existindo. Existindo com barriguinha de chopp e com ronco. Existindo com concessão. Com crise de ciúmes. Existindo com bafo. O amor existe com dívidas e sem férias. Ele só existe, ele só acontece, quando os dois conseguem ser, sem as máscaras (vai ver é por isso que amei meus melhores amigos). Vai ver, sei lá, que ele só existe depois dos 30.

Os felizes não sabem amar: quem tem a natureza feliz não se permite viver um grande amor. Quer esquecer rápido. Quer voltar a sorrir. Não consegue lutar. Nem esperar. Os felizes não amam seriamente.

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