Estou sentada no chão, segurando um cigarro e olhando pro nada na tua frente. Pisco lentamente. Suspiro, respiro e mudo de posição. Mordo o lábio num esforço abrupto ora mais ou menos desesperado de localizar, na superfície do meu próprio corpo, o mal-estar que não consigo determinar.
Não dá. Não dá.
Aperta o peito, alguma coisa me dói.
Quase falo.
Não consigo.
Sinto angustia.
A angústia é essa coisa qualquer que me habita e me deixa suspensa. Não estou lá, muito menos cá, mas sim presa ao invisível que me sufoca. Que eu não imagino, mas que deliro. A angústia se dá quando o choro ainda não existe, mas está sendo produzido. Ai, esse aperto no peito que acaba por me sufocar a traquéia, a faringe, tudo que por ali existe. A gente sente a angústia no físico exatamente naqueles lugares onde a comida não mais passará, onde o ar se comprimirá e aonde o sangue parece não querer chegar porque o sentimento de angústia é o sentimento de impossibilidade do ser. Freud afirmava ainda que a angústia parece sinalizar a emergência de uma exigência pulsional não admitida pelo eu.
Ai, angústia.
Nome que soa angustiante, inclusive: é o acento agudo que quase comprime uma letra e sufoca completamente a palavra inteira
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