6.26.2011

Lo absurdo

Lo absurdo es creer que podemos aprehender la totalidad de lo que nos constituye en este momento, o en cualquier momento, e intuirlo como algo coherente, algo aceptable si querés. Cada vez que entramos en una crisis es el absurdo total, comprendé que la dialéctica sólo puede ordenar los armarios en los momentos de calma. Sabés muy bien que en el punto culminante de una crisis procedemos siempre por impulso, al revés de lo previsible, haciendo la barbaridad más inesperada. Y en ese momento precisamente se podía decir que había como una saturación de realidad, ¿no te parece? La realidad se precipita, se muestra con toda su fuerza, y justamente entonces nuestra única manera de enfrentarla consiste en renunciar a la dialéctica, es la hora en que le pegamos un tiro a un tipo, que saltamos por la borda, que nos tomamos un tubo de gardenal como Guy, que le soltamos la cadena al perro, piedra libre para cualquier cosa. La razón sólo nos sirve para disecar la realidad en calma, o analizar sus futuras tormentas, nunca para resolver una crisis instantánea. Pero esas crisis son como mostraciones metafísicas, che, un estado que quizá, si no hubiéramos agarrado por la vía de la razón, sería el estado natural y corriente del pitecantropo erecto. Y esas crisis que la mayoría de la gente considera como escandalosas, como absurdas, yo personalmente tengo la impresión de que sirven para mostrar el verdadero absurdo, el de un mundo ordenado y en calma, con una pieza donde
diversos tipos toman café a las dos de la mañana, sin que realmente nada de eso tenga el menor sentido como no sea el hedónico, lo bien que estamos al lado de esta estufita que tira tan meritoriamente. Los milagros nunca me han parecido absurdos; lo absurdo es lo que los precede y los sigue.

Julio Cortázar - Rayuela

6.22.2011

Esperar menos não significa desistir

Antes ser surpreendida do que me decepcionar.

5.24.2011

Uma razão a mais para ser anticapitalista

Te amo
e odeio tudo que te deixa triste.

Se o mundo com seus horários e famílias
e fábricas e latifúndios e missas
e classes sociais, dores e mais-valia
e meninas com hematomas
no lugar de sua alegria

insistir em te deixar triste,
apertando tua alma
com suas garras geladas,
teremos, então, que mudar o mundo.

Nenhum sistema que não é capaz
de abraçar com carinho a mulher que amo
e acolher generosamente minha amada classe
é digno de existir.

Está, então, decidido:
Vamos mudar o mundo,
transformá-lo de pedra em espelho
para que cada um, enfim, se reconheça.

Para que o trabalho não seja um meio de vida
para que a morte não seja o que mais a vida abriga
Para que o amor não seja uma exceção,
façamos agora uma grande e apaixonada revolução.

Mauro Iasi

5.22.2011

Indigestão

A gente vive em tempos em que nada é mastigado antes de engolir

5.18.2011

Wating for my ruca (ou hey you parte II)

Quando tu dá aquele sorrisinho de canto de boca nos primeiros segundos da música e tua covinha aparece, eu te olho com a cabeça inclinada, em estado de graça, e peço baixinho pra um dia encontrar alguém que faça isso de um jeitinho tão apaixonante quanto o teu. Sabe, chego a te amar por alguns minutos, sempre, e te daria casa, comida e roupa lavada se todos os dias de manhã eu pudesse virar pro lado só pra ouvir você me chamar de “little darling” e dar aquele sorrisinho de canto de boca irresistível. E a minha sala, meu coração, minhas letrinhas, meus livros, minha alegria e toda a minha poesia distraída se alimentariam só dele, porque eu tenho certeza que ninguém precisa de muito mais do que isso pra ser feliz nessa vida. E recentemente decidi que nenhum cara bonito, inteligente, bacana e educado vai me conquistar facilmente, a não ser que tenha um sorriso escondido igualzinho ao seu e me ganhe nos primeiros sete segundos. Mas é tão difícil que eu fico vagando por aí, procurando em lugares fechados, barulhentos e com cheiro de cigarro o seu sorriso que ninguém tem e a sua música que ninguém canta, fora eu, que odeio os dias de chuva.

A única tristeza é que manhã vou no show do Sublime e tenho certeza que não te encontro por lá.

5.10.2011

4 verdades sobre o amor

O amor não tem razão: o acabado tem sempre razão. Porquanto quem abdica da vontade e encontra motivo é covarde. E todo covarde, sem exceção, é racional. Já eu gosto dos que lutam, dos que choram, dos que enlouquecem, dos que esperam mais de década se for preciso. O acabado tem sempre razão porque na verdade não desistiu. E, quando se desespera, é porque não entende porque o outro desistiu. E, quando sorri, é porque vê no outro algum sinal que enche de esperança. E, quando chora, é porque não queria que o outro desistisse. Quando liga às três da manhã pedindo pra conversar. Quando escolhe só filme de terror. Quando rejeita ouvir Cartola. O acabado, é sério, está sempre certo. Tem razão porque estava disposto a lutar. A salvar. A transformar. A revolucionar. Quem desiste é racional. É covarde: vê defeito onde realmente existe. Acha motivos. E todo covarde sempre tem um bilhão de motivos.

O amor é feminino: sabe, em se tratando de amor, todo homem deveria ser um pouco mulher. Ela acredita sinceramente no amor ad infinitum e, juro: nunca vai deixar de acreditar. A mulher morre no dia em que não mais acreditar. O homem, não. O homem é lúcido. Confia, mesmo, que o choro é sinal de fraqueza. Confia, mesmo, que não deve lutar. Todo homem é, por natureza, um conformado. E não existe pior canalha do que o conformado.

Amor não é cego: o tempo entrega a verdade. O tempo tira as máscaras. Tu te viu um dia cansado do excesso de queixas, do excesso de carinho, de carência, do excesso de choro, de dias mal humorados. Do medo, da necessidade de ajuda. Tudo se tornou ciúme ou controle. Então você descobre que não quer viver o resto da vida com essa pessoa. E o erro é teu: sonhaste com um amor cego. Sonhaste com um amor unilateral. Mas o amor não é cego. Ele é tudo, menos cego. Muito menos unilateral. O amor-amor - aquele que, ao invés de ser motivo de inveja, dá esperança - enxerga tudo de ruim. E continua existindo. Existindo com barriguinha de chopp e com ronco. Existindo com concessão. Com crise de ciúmes. Existindo com bafo. O amor existe com dívidas e sem férias. Ele só existe, ele só acontece, quando os dois conseguem ser, sem as máscaras (vai ver é por isso que amei meus melhores amigos). Vai ver, sei lá, que ele só existe depois dos 30.

Os felizes não sabem amar: quem tem a natureza feliz não se permite viver um grande amor. Quer esquecer rápido. Quer voltar a sorrir. Não consegue lutar. Nem esperar. Os felizes não amam seriamente.

5.09.2011

Será que perdemos pra dar lugar ao que vai nos ganhar?

São tantos cômodos. Tantas conversas sobre o o dia. Tanto tempo para se viver e, principalmente, para se dividir. Eu tenho tanto pra falar que já nem sei mais o que dizer. Sempre tem um raio de sol que me surpreende, uma pessoa fascinante que me falou. É tanta beleza que a gente quase não repara.

E não há como reparar o que se foi.
E é isso tudo, esse imediato que a gente desperdiçou por querer ser demais. "Não olha pra trás que já foi".
E o infinito está aqui ainda, esperando não deixar de ser grande nem muito.
Eu fui. Sempre vamos. Será que é esse partir é o que nos faz inteiros?
E o ficar aqui também é escolha.
Não fui. Nem sempre vamos adiante do que podemos sentir.
O partir quase sempre é escolha.
Talvez não seja nada mais do que se leva.
Ai, essa saudade tão grande das grandes coisas que não foram nossas.
"Não era pra ser mais": o que foi não é mais nosso e o que está pra chegar ainda não nos pertence.Perdemos tudo o tempo todo.


Essa fúria com que desejo, sempre querendo mais e mais.
Essa coisa toda de ter um lugar só meu no mundo.
É tanta coisa pra querer.
Queria ter dito mais, queria ter falado menos.
Queria que os abraços de despedida jamais fossem um adeus.
Tanta gente que vai.
Eu e minha dificuldade insuperável de deixar ir.
Essa saudade incontrolávem dos que foram pra lá.
É a espera pra ter novamente o que se foi. Aqui ou ali.
E o invisível está aqui.
Hoje foi. Amanhã ainda não é.
E nessa lacuna entre chegar ou partir estamos.

4.28.2011

de Camille Claudel

“II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente”

4.13.2011

Eles

Ele tem a nova faculdade, os novos amigos, os novos horários. Ela tem os antigos amigos, uma dissertação de mestrado e 21 anos.
Ele é frio e distante. Ela, uma passional convicta.
Ele simplesmente não se importa. Ela anda cansada demais.
Ele não. Ela sim.
Ele tanto faz, enquanto ela vela.
Ele vai. Ela não sabe se fica.
Ela queria ouvir um não e outros tantos sims. Ele queria só o silêncio dela.
Ele não vê. Ela sente.
Ele some. Ela fantasia um futuro com outro rosto.
Ela quer muito alguma coisa. Ele já não sabe mais.
Eles omitem.
Ela se corrige e fala. Ele consente.
Ela resolve. Ele foge.
Eles simplesmente não fazem o que querem.
Ele conhece novas mulheres. Ela quer apenas um.
Ela se culpa. Ele se vê perfeito.
Ele não é perfeito. Ela não é culpada.
Ele mente. Ela finge.
Ela passeia enquanto ele corre.
Ela sonha. Ele... bem, já não se sabe.
Ela tem medo. Ele mitifica.
Ela não é (d)ele e sofre.
Ele não é (d)ela e sente alívio.
Ele silencia. Ela grita.
Ele falta. Ela sobra.

3.24.2011

A vida é boa. A vida é ruim.

Estou aqui. Eu e Marx. Admito, estou bem. Muito melhor do que eu poderia imaginar que ficasse desse jeito mais sozinha. Tenho lido muito. Tenho pensado muito. Tenho conversado muito. Tenho sonhado muito. Conheci personas sensacionais, me senti um pouquinho menos deslocada do mundo. Um passo mais próxima daquela vertigem que só o amor, a luta e um punhado de possibilidade de revolução podem causar. Tenho me sentido mais forte, mesmo com o coração batendo desordenado. O saldo seria muito positivo. O problema é que alguma coisa falta. E falta muito.

A vida é boa porque estou bem.
A vida é uma merda porque sinceramente não gosto do fato de estar bem.